Um dia desse, no trabalho, estávamos conversando sobre programas de tv, quando uma solta que um famoso ator brasileiro já havia morrido Eu me espantei, afinal, poxa, eu não sou nenhuma alienada e estava certa de que o coitado ainda não havia partido dessa pra uma melhor. Eu falei, repeti, berrei, esperniei, procurei na internet notícias da morte dele e, claro, não encontrei. Mas, ainda assim, a menina insistia que o homem havia morrido.
Eu fui apertando o cerco e perguntando de quê e quando ele havia morrido e não sabiam dizer. Aí eu já digo no plural porque a empresa inteira já estava contra mim. A pessoa que inventou a parada já tinha convencido todo mundo de que aquilo era verdade e eu não tinha nenhuma alminha pra ficar do meu lado. Por fim eu desisti da luta. Elas estavam convencidas de que o cara estava morto e eu, certa de que ele não estava, não dava o braço a torcer de jeito maneira e ficou por isso mesmo. Voltando pra casa e pensando no que aconteceu, eu fiquei meio que revoltada com o fato de ninguém ter ido pro meu lado na conversa. Claro que aquilo era um assunto bobo mas, ainda assim, eu não entendia porque ninguém levava fé no que eu falava. Será que eu tenho cara de criança, de mentirosa ou de não confiável, sei lá... Eu fiquei muito cabreira com aquilo mas, antes que começasse a ficar neurótica, larguei aquilo de mão e tentei esquecer o assunto. Ligo a TV e advinha quem aparece vivo e saudável na telinha? Claro que no dia seguinte eu falei aquilo com todo mundo afirmando o quão manipuláveis todas elas eram, afinal agora eu tinha a TV do meu lado. Aí sim, finalmente elas acreditaram! Sabe, pessoas influenciáveis me dão pena, pois elas duvidam tanto de si mesmas, que precisam se jogar na opinião da maioria, só porque não conseguem sustentar sua própria verdade.
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