Eu tenho horror a médicos. Minha aversão a médico está diretamente proporcional a aversão que os homens geralmente têm a dentista. Eu fico emburrada, de mal humor. Mãos frias, desesperada pra sair logo de lá. Mesmo assim, eu não deixo de ir. Paciência. Tem q ir, não tem jeito. Eu vou. Mal humorada, mas vou.
Contei aqui, no post anterior, que eu fui à endocrinologista. Saí de lá com uma solicitação de endoscopia em mãos. Pensei: Tô fu. Enrolei, deixei o pedido do exame na gaveta, mas não teve jeito, eu tinha que fazer.
Cheguei no consultório toda durona, tentando esconder meu medo (deve ter alguma área na psicologia que explique isso), mas foi só ver uma mangueira de todo tamanho ao lado de uma seringa Made in Itu e deitar pra adrenalina ir às alturas e já desabar no choro e dar xilique de criança, antes mesmo do exame começar. A partir daí apaguei. Não lembro de mais nada. Sei lá o que a médica pensou de mim, uma mulher de toda altura, beirando os trinta dando crise de nervoso. Ah, mas também eu não sou médica então não tenho qualquer intimidade nem entendo nada desses processos de exames. Dane-se o que a médica pensou de mim. Não queria fazer aquele exame ridículo e arrancar um pedaço do meu ser e colocar num potinho cheio de formol ou sei lá o que.
Mas fiz. Como eu falei, eu esbravejo, não quero fazer, mas acabo fazendo. Afinal é a minha saúde e bla bla bla... Mas que fique bem claro que eu odeio médico e todas aquelas parafernalhas que eles usam! E todas as faculdades de medicina! E todas as mães de médicos e todos os fabricantes das parafernalhas que os médicos usam!! E todas as mães dos donos de fábricas que fabricam as parafernalhas que os médicos usam... E todas as enfermeiras que sorriem como se a gente estivesse num parque de diversões doidas pra enfiar uma agulha na gente querendo se vingar do salário e da jornada de trabalho! E... e...
Vou dormir.
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