"Um belo dia, estava na varanda de casa, lendo um livro, deitada na rede, tirei um cochilo e eis que uma taruíra caiu no meu braço. No dia seguinte, já estava toda empolada de alergia. Achei que não era nada, mas, em menos de uma semana, já havia se tornado uma ferida enorme pelo braço inteiro. Fui correndo ao médico. Lá, tive a notícia de que estava prestes a ter uma infecção generalizada. Por pouco não parti dessa pra uma melhor. Imagina, uma taruíra quase me mata! Fiquei dias no hospital e consegui me curar. A partir daquele dia, tomei ojeriza daquele bicho assassino.
Como quase havia morrido, analisei a minha vida e percebi a monotonia em que vivia e resolvi viver a vida. Fazer coisas que nunca fiz e viajar a lugares desconhecidos antes que fosse tarde demais. Assim que saí do hospital, parei logo num bar e tomei uma boa canjebrina. Que bebida forte! Pela primeira vez, senti o gostinho de beber aquela cachaça e fui pra casa feliz da vida! Chegando lá, peguei um guia de viagens e decidi aonde ir. Queria conhecer um vulcão de perto. Peguei um avião e fui parar na Indonésia, na Ilha de Sumvawa. Quando cheguei, me espantei com a contracultura que vi naquele lugar. Vários homens nus correndo pela ilha. Fiquei apavorada. Nunca imaginei que veria aquilo num país muçulmano. Estavam protestando alguma coisa, mas não quis ver mais aquela cena nem por Alá. Só percebi que foram todos presos e continuei meu passeio. Açodada, fui correndo ver o vulcão Tambora. Cheguei aos pés do vulcão e lá, o guia me disse que deveríamos voltar, pois havia sido anunciado que ele estava prestes a entrar em erupção. Eu, claro, não quis ir, estava vendo de longe e, afinal de contas, quase havia morrido por uma coisa boba, queria correr riscos agora! Eu disse que queria ficar e o chato do guia me puxando pelo braço. Fiquei com uma pininba infernal dele. Que homem chato! Ele não sabia pelo que eu havia passado e não entendia que eu queria viver. Mandei ele ir embora e fiquei lá, na marra. Logo depois, vi a larva vulcânica começando a cair de lá de cima. Fiquei maravilhada! Tirei muitas fotos. Até que percebi que ela estava descendo muito rápido, aí me apavorei. Peguei o mapa que tive que tungar do guia e botei o pé na estrada, só que eu inalei muitas cinzas daquele maldito vulcão e adoeci. Fui parar no hospital. Tentei falar com os médicos, mas ninguém entendia o que eu falava em inglês. Eles lá falando aquela língua doida deles, escrevendo um monte de coisas numa prancheta e eu não entendia nada porque e eu não tinha lectoescrita de Bahasa Indonésia, muito menos um dicionário por perto e meu guia havia desaparecido.
Então eles me mandaram de volta para o hotel. Voltei, mas lá a minha visão já começou a obnubilar. Sabia que não estava bem. Liguei para a recepção e pedi um médico que me examinasse, mas ele me disse que não havia mais o que fazer. Tive um ataque Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico e quando percebi que ia morrer, acordei do sonho, com o tombo que levei caindo da rede".
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